
O que é que os químicos do nosso cérebro têm que ver com o facto optarmos por comer um chocolate ou uma peça de fruta?
Os nossos antepassados comiam para sobreviver; comiam porque tinham fome ou eventualmente para celebrar uma vitória face a uma tribo beligerante.
E nós? Nós comemos porque estamos zangados, chateados, stressados, deprimidos, frustrados, a ver um filme, muito ocupados, pouco ocupados, com amigos, ou completamente chateados porque o nosso clube perdeu.
As reacções emocionais (em que substituímos uma conversa por um chocolate, um banho de imersão por um gelado, ou um saco de boxe por um pacote de batatas fritas) estão mais relacionadas com a química do que com a personalidade.
Existem reacções químicas que estimulam a fome. A leptina e a grelina são os comandos que controlam a nossa vontade de comer.
Acontece que, muitas vezes, a acção física de comer é despertada por emoções que nos convencem a devorar um cachorro cheio de mostarda.
As emoções são a face menos compreendida de toda esta questão da obesidade, mas não deixa de ser um facto que, para muitas pessoas, elas são uma parte muito real de se comer em excesso. O hipotálamo (onde se encontra o centro de saciedade) é também a zona do cérebro onde o corpo e mente se conectam.
Como grande amiga que é do hipotálamo, a hipófise envia os químicos mensageiros para falar com o resto do corpo. É neste ponto que, no jogo de emagrecer, se ganha ou se perde – nesta ligação entre as necessidades psicológicas e fisiológicas de nos alimentarmos.
Como devem calcular, comer de forma emocional não é correr atrás do aipo. É antes uma vontade de comer descontrolada, hedonista (que muitas vezes vem da nossa memória dos alimentos), em que se é capaz de acabar com todas as bolachas do pacote só porque têm bom aspecto e sabem ainda melhor. É um desejo incontrolável, normalmente por algo farináceo, doce, salgado ou gordurento.
Os cinco químicos do cérebro que se seguem são os primeiros a influenciar as nossas emoções e constituem o motivo pelo qual comemos em determinadas alturas:
- Noradrenalina: O químico da típica reacção “enfrenta ou foge a sete pés” dos homens das cavernas. É ela que nos diz se devemos meter-nos com o tigre de dentes-de-sabre ou se devemos fugir o mais depressa possível.
- Serotonina: É o James Brown dos neurotransmissores. Faz-nos sentir na maior e está na mira dos medicamentos anti-depressivos.
- Dopamina: O salão de festas do cérebro. É o químico que promove a sensação de “prazer e recompensa” e é particularmente sensível aos vícios e dependências. Contribui também para não sentirmos dor.
- GABA (ácido gama-aminobutírico): É o “paciente Inglês” dos aminoácidos. Faz-nos sentir como zombies e é um dos químicos responsáveis pelo modo como a anestesia diminui a resposta aos estímulos exteriores.
- Óxido nítrico: O químico da meditação. Ajuda a acalmar. Este potente neuropeptídeo é normalmente um gás de vida curda, que também relaxa os vasos sanguíneos, dilatando o seu calibre.
OS ALIMENTOS DOS HUMORES
Pesquisas recentes mostram aquilo que já sabíamos há muito tempo: a nossa disposição dita aquilo que comemos.
Os investigadores estudaram as dietas alimentares das pessoas para mostrar como a personalidade e os alimentos colidiam -como é que a nossa disposição pode levar-nos a comer este ou aquele alimento, com base nas suas características físicas.
O estudo teorizava que muitos estados de humor enviavam sinais específicos – por exemplo, as glândulas supra-renais em stress podiam enviar sinais de desejo de sal.
Vamos lá ver então o que é que a sua comida preferida diz de si:
| Se deseja… | Se calhar sente-se…. |
| Comida rija, como carne ou alimentos duros e que têm que se mastigar | Zangado |
| Açúcar | Deprimido |
| Alimentos macios e doces, como o gelado | Ansioso |
| Salgados | Em stress |
| Alimentos que enchem, como bolachas ou massas | Sozinho |
| Qualquer coisa e de tudo um pouco | Ciumento |