
O Torcicolo Congénito é uma lesão no pescoço do seu filho, no qual há uma lesão do músculo designado esternocleidomastóideo, mas poderá também ocorrer lesão do platisma e dos escalenos.
Pode ser observada lesão desse músculo no bebé quando este apresenta inclinação da cabeça para o lado da lesão e rotação para o lado oposto, juntamente flexão da cervical devido ao encurtamento muscular.
É a 3ª lesão mais comum em bebé, logo a seguir à luxação congénita da anca e da deformidade do pé boto. A causa do torcicolo permanece desconhecida sendo por vezes associada à má posição fetal, utilização de instrumentos no parto, entre outras, como escoliose, incoordenação dos músculos oculares ou advir de refluxo gastroesofágico.
Segundo Burger-Wagner, o torcicolo poderá ser dividido em dois tipos:
– Torcicolo muscular congénito: à palpação do esternocleidomastóideo sente-se um nódulo, tamanho de uma ervilha, doloroso para o bebé. O nódulo poderá evoluir para fibrose e retração do músculo em questão. Sendo que a rotação é sempre visível pela observação do alinhamento da cabeça do bebé.
– Torcicolo congénito postural: encontra-se presente logo à nascença mas requer uma avaliação minuciosa para ser identificado nos primeiros dias de vida. Esta lesão poderá desaparecer sem intervenção terapêutica ao fim de algum tempo.
Na ausência de tratamento, o bebé adquire uma postura errada da sua cabeça e cervical levando a diferentes consequências, podendo-se destacar:
– As alterações na simetria facial,
– Achatamento do occipital (nuca) designado por plagiocefalia,
– Problemas na visão,
– Desalinhamentos na coluna vertebral (escolioses),
– Encurtamentos musculares,
– Atraso nas fases do desenvolvimento motor da criança.
Assim, não se deve abordar o torcicolo congénito como tratamento exclusivo do músculo afetado, como deve ser feita uma abordagem global. Isto é, examinar todo o corpo da criança e o seu movimento, devido aos encurtamentos gerados pela postura adquirida, observar a mobilidade desse hemicorpo para que o tratamento desbloqueie toda a cadeia inerente.
Também, faz parte uma avaliação do neurodesenvolvimento da criança, uma vez que existe uma redução de toda a mobilidade muscular e articular para que o bebé se movimente sem dor. Levando a que a variabilidade do movimento dos membros superiores e inferiores e a exploração do ambiente deixe de ser feita pelo bebé.Portanto, o nosso tratamento, deve oferecer ao bebé um vivenciar de todas as fases inerentes ao seu crescimento. Não só a abordagem terapêutica à lesão mas também ao desenvolvimento motor. Permitindo que não haja um atraso na evolução neuromotora da criança, bem como, fornecer conselhos aos pais sobre a prestação de cuidados ao bebé, proporcionando uma recuperação mais eficaz ao seu filho.
Burger-Wagner A., (1991). “Rééducation en Orthopédie Pédiatriqyue”. Masson.
Manuila, L. Manuila, A. Lewalle, P. Nicoulin, M. (2001). “Dicionário médico”. 2º Edição. Lisboa.
Serra L. M. A. (1994). “Critérios Fundamentais em Fracturas e Ortopedia”. Porto. Edição da Associação de Apoio de Ortopedia de Hospital Geral de Santo António.
Autora: Ana Moreira | Fisioterapeuta